Exímia Você – Bonita por dentro e por fora

O que você vai ver por aqui? Uma designer de moda, estudante de nutrição e o que mais eu desejar, falando sobre moda, beleza, saúde, autoestima e comportamento, sempre pela sua própria ótica. Assuntos escolhidos no momento, sem ordem fixa, mas com intensidade, leveza e inspiração.

Saúde e Nutrição????? (Ué, o que que isso tem a ver com Moda? Tem sim, você vai entender!)

🇺🇸 ENGLISH VERSION

What will you find here?
A fashion designer, nutrition student, and future psychologist sharing thoughts on fashion, beauty, health, self-esteem, and behavior — always from her own perspective.
Topics are chosen in the moment, with no fixed order, but always with intensity, lightness, and inspiration.

Health and Nutrition????? (Huh, what does that have to do with Fashion? It does, you’ll see!)

Mas alguns acontecimentos pedem presença.

Fico períodos sem escrever aqui. Não por falta de assunto, mas porque só publico quando algo realmente precisa ser dito. E desta vez, precisei aparecer. O que aconteceu recentemente toca diretamente em tudo o que venho estudando, observando e questionando há anos sobre alimentação, saúde e indústria. Este texto é menos opinião e mais registro

O Guia Alimentar Brasileiro: quando a orientação não vira sistema

Eu estudei o Guia Alimentar para a População Brasileira. Conheço sua proposta, seus fundamentos e sua importância histórica. Ainda assim, passados mais de dez anos desde sua publicação, é inevitável a pergunta: por que continuamos com os mesmos problemas alimentares?

Essa reflexão não invalida o Guia. Ela nasce justamente do reconhecimento de que ele é um documento avançado — mas isolado.

  1. Dez anos é tempo demais para um guia alimentar

O Guia Alimentar Brasileiro foi lançado em 2014. Hoje, já se passaram mais de dez anos. Em termos de dinâmica social, consumo, marketing e indústria alimentícia, isso é muito tempo.

Nesse intervalo, o padrão de consumo mudou, os ultraprocessados se sofisticaram, a comunicação ficou mais agressiva e digital, e os indicadores de obesidade, diabetes e transtornos alimentares continuaram crescendo.

Isso nos obriga a reconhecer algo importante: o Guia, sozinho, não foi capaz de alterar o cenário alimentar da população.

  1. O problema não é a ausência de orientação

Existe um guia alimentar. Ele é claro, acessível e bem fundamentado. O problema não é falta de informação técnica.

O problema é que orientação não vira realidade quando não existe um sistema que a sustente. Enquanto o Guia recomenda evitar ultraprocessados, o ambiente alimentar estimula o consumo, barateia esses produtos, os torna mais disponíveis e os promove de forma constante.

O discurso técnico aponta para um lado, mas o cotidiano empurra para o outro.

  1. A legislação não acompanha o que foi estabelecido como regra

Se o Guia realmente fosse tratado como diretriz central de política pública, veríamos reflexos claros: restrição de publicidade, incentivo econômico à comida de verdade e desestímulo real aos ultraprocessados.

Mas isso não acontece de forma consistente. Existe uma desconexão estrutural entre o que se recomenda e o que se permite. A legislação não caminha junto com o discurso da saúde pública — e esse é o ponto central do problema.

  1. A influência midiática continua favorecendo os ultraprocessados

O marketing alimentar é onipresente. Ele atua no desejo, na praticidade, no preço e na promessa de bem-estar rápido. É um discurso muito mais sedutor do que qualquer material institucional.

Enquanto isso, o Guia não está nas prateleiras, não está nos anúncios e não ocupa o centro da comunicação de massa. Na prática, o ambiente alimentar ensina mais do que qualquer cartilha.

  1. O Guia virou referência acadêmica, não instrumento popular

Hoje, quem conhece profundamente o Guia Alimentar Brasileiro são nutricionistas, estudantes e pesquisadores. Mas quem define o que chega à mesa da população em larga escala são a indústria, o varejo e a publicidade — agentes que não operam segundo o Guia.

Assim, ele se torna um documento respeitado e citado internacionalmente, mas com impacto limitado no cotidiano da maioria das pessoas.

  1. Escolha individual não existe sem ambiente favorável

Fala-se muito em “escolha alimentar”, mas essa ideia ignora o contexto. Quando o ultraprocessado é mais barato, mais acessível, mais divulgado e mais conveniente, não estamos falando de escolha livre, mas de um ambiente que direciona o comportamento.

Educação alimentar sem transformação do ambiente é insuficiente.

  1. Não é um problema exclusivo do Brasil

Esse cenário não é exclusivo do Brasil. Existem guias, evidências e consensos científicos em vários países, mas falta enfrentamento político e econômico.

O Brasil foi conceitualmente ousado ao propor uma classificação baseada no grau de processamento. Ainda assim, a prática não acompanhou o discurso.

Conclusão:

Este texto também existe por um motivo muito concreto.

No dia 7 de janeiro de 2026, os Estados Unidos fizeram um pronunciamento oficial que simboliza uma mudança profunda na forma como a alimentação vem sendo tratada nas últimas décadas. Encerra-se, ao menos no discurso institucional, a guerra contra a gordura saturada. Encerra-se também a demonização da proteína, que passa a ocupar um papel central. Retoma-se a defesa da alimentação natural.

E, talvez o mais significativo: inicia-se um enfrentamento direto aos alimentos ultraprocessados. Os mesmos que, por muitos anos, foram protegidos por orientações oficiais e por uma narrativa construída para favorecer a indústria. Durante décadas, foi ela quem ditou o que as pessoas comeriam — e como deveriam entender saúde.

Hoje, o foco muda de lugar. Não por altruísmo, mas por necessidade. Nunca houve tantos casos de doenças evitáveis, crônicas e diretamente relacionadas à alimentação. O custo da saúde se tornou insustentável, e os Estados Unidos, como país estratégico, compreenderam algo básico: prevenir é mais barato do que tratar.

Investir em alimentação de verdade reduz gastos, mas também inaugura um movimento muito esperado: o entendimento de que grande parte das doenças começa pela boca. Pela escolha no supermercado. Pela decisão diária do que vai ao prato.

É por isso que eu precisei escrever este texto agora. Porque mais do que uma mudança de guia, o que se anuncia é uma mudança de narrativa. E registrar esse momento, para mim, é tão importante quanto criticá-lo, acompanhá-lo e questionar o que vem depois.

Fiquei um tempo fora…

I’ve been away for a while.

But some events demand presence.

I go through long periods without writing here. Not for lack of topics, but because I only publish when something truly needs to be said. And this time, I had to show up. What happened recently directly touches everything I have been studying, observing, and questioning for years about food, health, and industry. This text is less an opinion and more a record.

The Brazilian Dietary Guidelines: when guidance fails to become a system

I have studied the Brazilian Dietary Guidelines. I know their proposal, their foundations, and their historical importance. Still, more than ten years after their publication, one question is unavoidable: why do we keep facing the same nutritional problems?

This reflection does not invalidate the Guidelines. On the contrary, it arises precisely from recognizing that they are an advanced document — but an isolated one.

  1. Ten years is too long for a dietary guideline

The Brazilian Dietary Guidelines were released in 2014. Today, more than ten years have passed. In terms of social dynamics, consumption patterns, marketing strategies, and the food industry, that is a very long time.

During this period, consumption habits have changed, ultra-processed foods have become more sophisticated, communication has grown more aggressive and digital, and indicators of obesity, diabetes, and eating disorders have continued to rise.

This forces us to acknowledge an important fact: the Guidelines alone were not enough to change the population’s dietary landscape.

  1. The problem is not the absence of guidance

There is a dietary guideline. It is clear, accessible, and well-founded. The problem is not a lack of technical information.

The problem is that guidance does not become reality when there is no system to support it. While the Guidelines recommend avoiding ultra-processed foods, the food environment encourages consumption, lowers prices, increases availability, and constantly promotes these products.

Technical discourse points in one direction, while everyday life pushes in another.

  1. Legislation does not follow what was established as a rule

If the Guidelines were truly treated as a central public policy directive, we would see clear consequences: stricter advertising regulations, economic incentives for real food, and meaningful disincentives for ultra-processed products.

But this does not happen consistently. There is a structural disconnect between what is recommended and what is allowed. Legislation does not move in step with public health discourse — and this is the core of the problem.

  1. Media influence continues to favor ultra-processed foods

Food marketing is omnipresent. It operates on desire, convenience, price, and promises of quick well-being. It is far more seductive than any institutional guideline.

Meanwhile, the Guidelines are not on supermarket shelves, not in advertisements, and not at the center of mass communication. In practice, the food environment teaches far more than any handbook.

  1. The Guidelines became an academic reference, not a popular tool

Today, those who truly know the Brazilian Dietary Guidelines are nutritionists, students, and researchers. But those who decide what reaches people’s plates on a large scale are industry, retail, and advertising — actors that do not operate according to the Guidelines.

As a result, the document is respected and internationally cited, but its impact on everyday life remains limited.

  1. There is no individual choice without a favorable environment

“Food choice” is often discussed, but this idea ignores context. When ultra-processed foods are cheaper, more accessible, more advertised, and more convenient, we are not talking about free choice, but about an environment that directs behavior.

Food education without transforming the environment is insufficient.

  1. This is not an exclusively Brazilian problem

This scenario is not unique to Brazil. Many countries have guidelines, evidence, and scientific consensus, but lack political and economic confrontation.

Brazil was conceptually bold in proposing a classification based on the degree of food processing. Still, practice failed to follow discourse.

Conclusion

This text also exists for a very concrete reason.

On January 7, 2026, the United States made an official announcement that symbolizes a profound shift in how food has been treated over recent decades. The war against saturated fat comes to an end — at least at the institutional level. The demonization of protein also ends, as it now takes on a central role. A return to natural food is reaffirmed.

And perhaps most significantly, a direct confrontation with ultra-processed foods begins. The very products that, for many years, were protected by official guidelines and narratives designed to favor industry. For decades, it was industry that dictated what people would eat — and how they should understand health.

Today, the focus shifts. Not out of altruism, but out of necessity. Never before have there been so many preventable, chronic diseases directly linked to diet. Healthcare costs have become unsustainable, and the United States, as a strategic country, has recognized something basic: prevention is cheaper than treatment.

Investing in real food reduces costs, but it also initiates a long-awaited movement — the understanding that most diseases begin in the mouth. In the choices made at the supermarket. In what is placed on the plate every day.

That is why I needed to write this text now. Because more than a change in guidelines, what is being announced is a change in narrative. And documenting this moment, for me, is just as important as criticizing it, following it, and questioning what comes next.

Posted in

Deixe um comentário